CAZE TV, GLOBO E O NOVO PADRÃO DE CUSTOMER EXPERIENCE NA COPA DE 2026
- Maria Júlia Araújo
- 30 de jun.
- 3 min de leitura
Por: Antônio Gabriel Castro Costa

A Copa do Mundo sempre foi um território de emoção, narrativa e audiência massiva, o que em 2026 se tornou também um grande destaque de Customer Experience (CX) no Brasil. A disputa entre Cazé Tv e Globo não é apenas sobre quem transmite mais jogos ou quem tem mais audiência. É sobre como cada um entende, ou deixa de entender, o torcedor como cliente.
E quando olhamos com atenção, percebemos que o futebol está antecipando movimentos que já transformaram outros setores: streaming, telecom, varejo, bancos, educação. Em outras palavras, o esporte virou o espelho do mercado.
A VIRADA ESTRATÉGICA: QUANDO O DIGITAL DEIXOU DE SER COMPLEMENTO
A Globo, historicamente dominante, reduziu sua agressividade na compra de direitos digitais, uma decisão que abriu espaço para novos modelos de transmissão. A LiveMode e Cazé TV aproveitaram a brecha e criaram uma proposta que combina creator economy, comunidade e interação.
Essa mudança revela algo essencial: quando uma marca não acompanha o comportamento do cliente, alguém ocupa espaço.
· A Globo manteve foco em eficiência, estrutura e qualidade técnica.
· A Cazé TV focou no comportamento real do torcedor.
No CX, diríamos que a Cazé TV apostou em linguagem, humor, participação e proximidade. É o clássico dilema entre otimizar processos e otimizar experiências.
A FANDOMIFICAÇÃO DO ESPORTE: O TORCEDOR VIROU PROTAGONISTA
Segundo a Exame, 56% dos torcedores já preferem creators à TV tradicional, o que não está relacionado a tecnologia, e sim, sobre vínculo.
Esse movimento é o mesmo que impulsiona:
· comunidade de marcas como Apple e Nike;
· criadores que substituem veículos tradicionais;
· empresas que constroem valor por pertencimento, não por produto.
O futebol apenas tornou isso mais visível.
A RESPOSTA DA GLOBO: O REFORÇO TÉCNICO COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO
Com a Cazé Tv transmitindo todos os 104 jogos, a Globo precisou reagir, investiu em Globoplay, GeTV, campanhas sobre menor delay e reforço de talentos.
A estratégia é clara: se não posso competir em comunidade, competirei em excelência técnica.
A Globo aposta em:
· confiabilidade;
· produção impecável;
· menor atraso;
· narrativa tradicional.
É um modelo de CX baseado em autoridade, não em interatividade.
DOIS MODELOS DE EXPERIÊNCIA EM CHOQUE, E AMBOS FUNCIONAM
Cazé Tv: comunidade como produto
· Interatividade em tempo real
· Linguagem informal
· Engajamento emocional
· Sensação de “assistir com amigos”
· Conteúdo multiplataforma
Globo: autoridade como produto
· Produção de alto padrão
· Baixo atraso
· Narrativa jornalística
· Alcance massivo
· Sensação de “assistir com segurança”
Esses modelos não competem pelo mesmo cliente, eles competem por relevância e relevância é construída de formas diferentes.
O QUE O MERCADO APRENDE COM ISSO
A Copa de 2026 revela tendências que já moldam outros setores:
Personalização supera padronização: experiências hiperpersonalizadas podem gerar até 40% mais receita do que abordagens genéricas. A Cazé TV entende isso antes das grandes emissoras.
Comunidade é mais forte que audiência: audiência é volume, comunidade é vínculo e vínculo é recorrência.
CX é estratégia, não operação: 42% dos assinantes de streaming nos EUA se sentem sobrecarregados pela qualidade de serviços. O cliente não quer “mais opções”, ele quer menos atrito e mais significado.
O cliente quer participar, não apenas consumir: interação substitui transmissão, pertencimento substitui conteúdo.
PARALELOS DIRETOS COM O MUNDO EMPRESARIAL
A disputa entre Cazé Tv e Globo é um espelho para qualquer empresa que compete por atenção:
· Quem entende o cliente, lidera.
· Quem constrói comunidade, constrói marca.
· Quem personaliza, retém.
· Quem humaniza, diferencia.
· Quem é customer-first, é omnichannel de verdade.
O torcedor da Copa é o mesmo consumidor que cancela streaming, troca de operadora, muda de banco digital, abandona carrinhos no e-commerce. É o mesmo cliente que busca conexão, simplicidade e relevância.
CX É O NOVO CAMPO DE BATALHA NO ESPORTE E NOS NEGÓCIOS
A Copa de 2026 mostra que a experiência do cliente não é mais sobre entregar conteúdo ou serviço, por outro lado, é como as pessoas se sentem enquanto consomem.
· A Globo representa estabilidade, qualidade e alcance.
· A Cazé TV representa comunidade, autenticidade e participação.
Não existe um modelo de negócio melhor ou pior, existe aquele que acompanha o cliente e o modelo que dita o comportamento do cliente. E em 2026, quem dita é quem entende que CX não é sobre transmitir, mas sobre se conectar com o público.




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