
A importância da recepção: o ponto de partida da experiência
2 de out de 2025
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Receber bem um cliente na loja não é luxo, é condição básica para que o restante da jornada tenha sucesso. A forma como o cliente é recebido já influencia seu estado emocional, sua abertura e sua predisposição para comprar.
Os aspectos básicos de uma recepção assertiva
Para que a recepção gere impacto positivo, alguns elementos simples, mas poderosos, devem estar presentes:
Se apresentar calorosamente: ao ver um cliente entrando, o vendedor (ou colaborador da loja) deve romper o gelo com uma saudação genuína: “Boa tarde! Seja bem-vindo(a).” evitando olhar para o celular, mexer em estoque ou demonstrar desatenção.
Falar o seu nome sempre sorrindo: usar o próprio nome ajuda a humanizar o atendimento e a construir confiança. Um sorriso autêntico funciona como ponte afetiva.
Perguntar o nome do cliente: é um gesto de reconhecimento e inclusão
“Como posso chamá-lo(a)?” ou “Qual seu nome?”. Isso já abre caminho para personalizar a conversa.
Esses três elementos: saudação calorosa, identificação pessoal e a curiosidade pelo nome do cliente já geram um primeiro nível de conexão.
Além disso, vale cuidar de outros detalhes complementares:
Manter postura aberta (olhar nos olhos, corpo voltado para o cliente)
Usar uma entonação amigável, evitar falas monótonas
Demonstrar interesse genuíno mesmo antes da abordagem comercial
Cuidar do ambiente (limpeza, organização, iluminação) para causar boa impressão desde a entrada
Uma recepção bem feita já reduz resistências iniciais e cria receptividade ao diálogo.
Da recepção à venda: como gerar conexão emocional e abordagem consultiva

Receber bem é apenas o primeiro passo. O caminho é conduzir o cliente numa experiência de compra que vá além do simples ato de vender, que crie empatia, identificação e valor agregado.
Princípios de uma venda com conexão emocional orientada pelo Instituto Experiência do Cliente
Empatia ativa: observar expressões, linguagem corporal e sinais sutis do cliente. Se ele demonstrar insegurança ou dúvida, pausar, fazer perguntas abertas e validar suas preocupações (“Entendo; muitas pessoas se sentem assim”).
Histórias e gatilhos emocionais: contar exemplos curtos, casos de uso ou relatos de outros clientes que superaram a mesma objeção. Isso ajuda o cliente a se visualizar no contexto e a conectar seu desejo ao produto.
Escuta mais que fala: fazer perguntas poderosas (“O que é mais importante para você ao escolher isso?”, “Como pretende usar este produto?”) e aguardar respostas completas. Quanto mais ele fala, mais o vendedor descobre motivações ocultas.
Customização e solução: em vez de empurrar um produto, apresentar sugestões ajustadas ao perfil do cliente. Mostrar benefícios tangíveis que atendem às dores dele.
Confiança e transparência: ser claro sobre prazos, condições, garantias; evitar surpresas. Isso contribui para que o cliente diga “sim” com segurança.
Fechamento consultivo: propor opções - “Temos esta versão mais básica, mas se você valoriza X, posso te mostrar esta versão premium que custa um pouco mais, mas entrega Y a mais.” e deixar o cliente “sentir poder de escolha”.
Essa abordagem, que combina emoção + razão + customização, é mais efetiva e menos invasiva do que a abordagem agressiva ou puramente transacional.
Por que a abordagem consultiva gera resultados melhores
Fideliza o cliente, pois ele sente que fez uma boa escolha
Reduz devoluções e arrependimentos, porque as expectativas foram bem moldadas
Gera “advogados da marca”, que indicam a loja a familiares e amigos
Permite identificar oportunidades de cross-sell (vendas correlatas) e up-sell (versões superiores) de forma natural
Em resumo: quem é percebido como consultor e não como vendedor comum ganha confiança e isso se reflete nos resultados.
86% dos consumidores dispostos a pagar mais por uma ótima experiência: pesquisa da PWC revela que uma experiência superior pode permitir às marcas cobrirem “prêmio” de preço.
Uma dica do professor Fernando Coelho (livro Gestão de Vendas e Experiência do Cliente)
No livro Gestão de Vendas e Experiência do Cliente, Fernando Coelho propõe o uso da Teoria do Octógono da Experiência do Cliente, que integra oito dimensões relevantes (como cultura, liderança, voz do cliente, design da experiência, indicadores, governança comercial etc.) para que o gestor possa mapear, agir e monitorar a jornada do cliente de forma holística.

Uma dica prática inspirada nessa abordagem é: implemente ciclos regulares de monitoramento + ajustes (por exemplo, usando o método PDCA) sobre cada etapa da experiência do cliente e de vendas, para garantir que a recepção, o atendimento e a jornada estejam em melhoria contínua e não estagnados em “modus operandi”.
Em outras palavras: não basta treinar uma vez e “deixar rodar” — é necessário acompanhar, corrigir, refinar (fazendo feedbacks internos, ouvir clientes, coletar dados e agir).
Tenha uma trilha anual de capacitação
Todo lojista, especialmente os que operam em shopping, com rotatividade de equipes e alta competitividade, deve ter uma trilha de capacitação contínua em vendas, atendimento e experiência do cliente. Essa trilha deve contemplar:
Módulos de recepção, abordagem, argumentação consultiva, pós-venda
Simulações práticas, feedbacks
Indicadores de avaliação (métricas de satisfação, conversão, retorno de clientes etc.)
Momentos regulares de revisão (pelo menos anualmente)
Atualizações conforme tendências, mudanças de perfil de consumidor
Envolvimento de líderes, supervisores e times de loja
A revisão anual é importante porque comportamentos, expectativas e os modelos de experiência do cliente evoluem com o mercado, o que funcionava há dois anos pode já estar defasado hoje.
Essa trilha contínua garante que a equipe se mantenha alinhada, motivada e preparada para entregar o padrão desejado de atendimento.
Ganhos para o lojista
Quando uma loja investe em recepção, atendimento com conexão consultiva e capacitação contínua, os impactos positivos são múltiplos.
Melhor experiência do cliente
Cliente se sente valorizado desde o primeiro momento, menos resistência durante a jornada, menor taxa de abandono. Uma experiência positiva gera memórias que favorecem a recompra e o boca a boca.
Aumento de fidelização
Clientes que vivenciaram boa experiência tendem a voltar e consumir mais ao longo do tempo. Em mercados brasileiros, muitos programas de fidelidade já somam centenas de milhões de cadastros, o que denota apetite pela retenção.
Aumento de cross-sell e up-sell
Quando o vendedor conhece necessidades e contexto do cliente, pode sugerir itens complementares (cross-sell) ou versões com benefícios extras (up-sell) de forma natural e bem recebida. Clientes engajados aceitam melhor quando percebem valor nas sugestões.
Aumento de ticket médio
Com abordagem consultiva, é comum elevar o valor médio da compra, pois o cliente percebe benefícios adicionais que justificam investir um pouco mais. Além disso, ele tende a optar por versões mais completas.
Aumento de retenção
Reter clientes é mais barato que conquistar novos. Uma base fiel gera vendas recorrentes, referências e estabilidade financeira. Clientes retidos também tendem a resistir mais em momentos de crise.
Receber bem não é um detalhe, é porta de entrada para toda a jornada de valor. Quando o cliente é recebido com atenção personalizada, quando o vendedor se apresenta com nome e sorriso, quando existe curiosidade pelo nome do cliente, abre-se o caminho para uma conversa mais humana, confiante e interessante.
A venda com conexão emocional e abordagem consultiva transforma oportunidades em relacionamentos duradouros. Os dados de mercado mostram que consumidores já valorizam a experiência tanto quanto o preço.
Fique de olho nisso!
