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OCTÓGONO CX: OS 8 DIRECIONADORES QUE TRANSFORMAM A EXPERIÊNCIA DO CLIENTE EM RESULTADO

antoniogabrielcast
16 de out.
6 min de leitura


Instituto Experiência do Cliente – IEC | Por Marcos Vinicius


Quando se fala em experiência do cliente, muitos empresários pensam logo em atendimento cordial, sorriso na recepção e resposta rápida no WhatsApp. Tudo isso é importante, mas é apenas a parte visível do iceberg.


No planejamento estratégico, a dimensão “cliente” costuma aparecer quase sempre com um único foco: a aquisição de novos clientes. O problema é que, sem uma estrutura de gestão por trás, a empresa atrai, mas não consegue encantar nem fidelizar.


Quando a experiência do cliente é tratada apenas como atendimento, os sintomas aparecem em diferentes áreas:


•       Campanhas que trazem clientes, mas não geram recompra;

•       Equipes sem clareza sobre como atender e vender;

•       Liderança que cobra resultado, mas não desenvolve pessoas;

•       Reclamações que se repetem porque a causa raiz nunca é tratada;

•       Decisões tomadas por percepção, e não por indicadores.


Em outras palavras, CX não é um departamento nem um treinamento pontual. É gestão.


O que é o Octógono CX?


O Octógono CX é uma teoria apresentada pelo Prof. Dr. Fernando Coelho, diretor do Instituto Experiência do Cliente (IEC), no livro Fidelizando o Cliente na Prática (2023). Ele reúne oito direcionadores de gestão que devem estar presentes em todo planejamento estratégico que pretenda colocar o cliente no centro do negócio.


A lógica do octógono é simples: são oito lados que se sustentam entre si. E se um deles é negligenciado, a estrutura inteira perde equilíbrio.


Para facilitar a leitura, podemos juntar os oito direcionadores em quatro blocos:


•       Base e liderança: cultura de centralidade do cliente e liderança com foco no cliente;

•       Pessoas: práticas e métricas de experiência do colaborador;

•       Cliente: design da experiência e jornada do cliente;

•       Gestão: métricas e indicadores de CX e governança de CX.


Os 8 direcionadores e suas funções


1. Cultura de centralidade do cliente


Função: criar a base que sustenta todas as demais ações.


Nenhuma estratégia de atração ou fidelização funciona sem uma cultura forte de foco no cliente, e ela precisa vir da liderança. O gestor deve começar pela base e entender como está essa cultura dentro da empresa, como:


•       Revisar missão, visão e valores;

•       Definir práticas de cliente que todos conheçam e pratiquem;

•       Promover o desenvolvimento da liderança em experiência do cliente;

•       Criar rituais de cultura do cliente no dia a dia.


2. Liderança com foco no cliente


Função: garantir que quem conduz as equipes saiba desenvolver pessoas e gerir processos de excelência.


Um dos maiores gargalos nas empresas está na liderança. Muitos gestores têm dificuldade de desenvolver pessoas, têm pouca sensibilidade com o cliente e desconhecem elementos básicos da gestão, como:


•       Jornada de compra;

•       Procedimentos Operacionais Padrão (POPs);

•       Scripts de atendimento;

•       Processos de pós-venda.


Por isso, o direcionador propõe desenvolver a liderança para conduzir um bom processo de vendas com foco em CX.


3. Práticas de experiência do colaborador


Função: cuidar de quem entrega a experiência ao cliente.


É o cliente interno que entrega experiência ao cliente externo. Por isso, ele precisa ser cuidado e desenvolvido. Entre as práticas essenciais estão:


•       Onboarding estruturado;

•       Reconhecimento;

•       Desenvolvimento de carreira;

•       Capacitação permanente.


4. Métricas de experiência do colaborador


Função: medir a satisfação interna para enxergar o que ainda não aparece na operação.


Tão importante quanto planejar e executar é medir. Entre os indicadores que traduzem a satisfação interna, destacam-se:


•       Clima organizacional;

•       eNPS (Employee Net Promoter Score);

•       Turnover.


5. Design de experiência do cliente


Função: entender quem é o cliente.


Aqui o planejamento deve contemplar o conhecimento profundo dos desejos, necessidades e dores do cliente, por meio de metodologias como:


•       Voz do cliente (VoC);

•       Mapa de persona;

•       Pesquisa de mercado;

•       Pesquisas de NPS.


6. Jornada do cliente e padronização


Função: transformar o conhecimento sobre o cliente em uma experiência padronizada e consistente.


Depois de entender o que o cliente espera, é hora de desenhar a jornada de compra e de interação com a marca, com apoio de:


•       Mapa da jornada do cliente;

•       Scripts de atendimento;

•       Procedimentos Operacionais Padrão;

•       Instruções de trabalho.


É isso que dá padronização e excelência à execução da experiência.


7. Métricas e indicadores de CX


Função: mostrar a saúde do negócio sob a ótica do cliente.


O que não pode ser medido não pode ser gerenciado. Além dos indicadores de experiência, é fundamental acompanhar KPIs de fidelização, como:


•       Faturamento associado à taxa de fidelidade;

•       Taxa de evasão (churn);

•       Taxa de reclamação;

•       Customer Effort Score (CES);

•       Net Promoter Score (NPS).


Esses indicadores dão clareza sobre o quanto a operação está, de fato, focada no cliente.


8. Governança de CX


Função: garantir que os sete direcionadores anteriores sejam acompanhados pela alta direção.


Sem governança, o plano vira boa intenção. Nas operações em que atua como gestor ou mentor, Fernando Coelho trabalha com comitês mensais de clientes, formados pela alta gestão e pela direção, dedicados a discutir e melhorar todas as variáveis de gestão relacionadas ao cliente.


Um exemplo prático


Imagine uma rede de varejo com NPS em queda e muitas reclamações sobre a abordagem de vendas. À primeira vista, parece um problema de atendimento e a solução óbvia seria treinar a equipe de loja.


Pelo olhar do octógono, porém, a análise é mais profunda:


•       Há uma cultura de cliente definida e vivida pela liderança?

•       Os gestores sabem conduzir o processo de vendas e acompanhar scripts?

•       A equipe é bem integrada, reconhecida e capacitada?

•       A jornada está desenhada e padronizada?

•       Os indicadores são acompanhados e discutidos pela direção?


Muitas vezes, o problema que aparece no balcão nasceu em outro lado do octógono. Treinar apenas o atendente trata o sintoma, e não a causa.


Ouvir o cliente com método


O octógono depende de dados confiáveis para funcionar. Em seus estudos, Fernando Coelho defende que a escuta do cliente seja estruturada e contínua, com ferramentas como:


•       Cliente oculto;

•       NPS;

•       Social listening, o monitoramento de menções e sentimentos nas redes;

•       Acompanhamento de plataformas como Reclame Aqui, Consumidor.gov e Google Meu Negócio.


Mas não basta ouvir: é preciso tratar a causa raiz. Quando a empresa resolve o problema pontual e não corrige o processo, a situação volta a acontecer.


Por isso, o feedback precisa ser organizado e analisado por tipo de cliente (promotores, neutros e detratores), tipologia da reclamação ou elogio, recorrência e área responsável. Além disso, os indicadores de satisfação, como NPS e CSAT, devem ser cruzados com indicadores financeiros, como faturamento, ticket médio, LTV e taxa de evasão. Esse cruzamento mostra que experiência do cliente impacta diretamente o caixa da empresa.


O Cliente Oculto como termômetro do octógono


Uma das formas mais práticas de verificar se a jornada desenhada está sendo executada é o Cliente Oculto. Nesse método, um avaliador anônimo vivencia a experiência de um cliente comum e identifica oportunidades de melhoria na abordagem de vendas, no atendimento, nos processos e nas fricções que fazem a empresa perder vendas e clientes.


O processo do IEC segue cinco etapas:


•       Briefing inicial: entendimento do negócio e das necessidades;

•       Definição dos critérios de avaliação: escolha das métricas que serão analisadas;

•       Execução da visita: o Cliente Oculto vai até o estabelecimento;

•       Coleta e análise de dados: informações processadas na plataforma;

•       Entrega do relatório: com notas, insights e recomendações práticas.


Com mais de 15 anos de experiência e mais de 3 mil avaliações realizadas em todo o Brasil, a metodologia alimenta diretamente os direcionadores de jornada do cliente, métricas de CX e governança, entregando à direção dados reais para discutir e decidir.


Como começar a aplicar o octógono na sua empresa?


Uma boa forma de iniciar é responder, com honestidade, a oito perguntas, uma para cada lado do octógono:


•       Cultura: todos na empresa sabem o que significa colocar o cliente no centro?

•       Liderança: meus gestores sabem desenvolver pessoas e conduzir o processo de vendas?

•       Experiência do colaborador: minha equipe é cuidada e desenvolvida?

•       Métricas do colaborador: eu sei como está o clima, o eNPS e o turnover?

•       Design de experiência: eu conheço os desejos e as dores do meu cliente?

•       Jornada: a jornada está desenhada e padronizada?

•       Indicadores de CX: acompanho NPS, CES, evasão e reclamações?

•       Governança: a direção se reúne periodicamente para discutir o cliente?


Os lados em que a resposta for “não” ou “não sei” indicam por onde a empresa deve começar.


Experiência do cliente se constrói de dentro para fora


O Octógono CX mostra que a experiência entregue ao cliente é resultado de uma gestão estruturada, que começa na cultura e na liderança, passa pelas pessoas e pela jornada, e se sustenta em métricas e governança.


Uma boa gestão de experiência do cliente impacta diretamente a aquisição e a fidelização, o que significa mais (ou menos) resultado financeiro. Afinal, a pergunta que fica para o empresário e o gestor é: como está o planejamento da sua operação com o olhar do cliente?


Quer estruturar a experiência do cliente na sua empresa?


O Instituto Experiência do Cliente – IEC pode apoiar sua empresa tanto no desenvolvimento de gestores, com o PDG (Programa de Desenvolvimento para Gestores), voltado a jornada do cliente e dos processos, cultura organizacional e liderança de alta performance, quanto na medição da experiência real com o Cliente Oculto IEC.

 
 
 

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