OCTÓGONO CX: OS 8 DIRECIONADORES QUE TRANSFORMAM A EXPERIÊNCIA DO CLIENTE EM RESULTADO

Instituto Experiência do Cliente – IEC | Por Marcos Vinicius
Quando se fala em experiência do cliente, muitos empresários pensam logo em atendimento cordial, sorriso na recepção e resposta rápida no WhatsApp. Tudo isso é importante, mas é apenas a parte visível do iceberg.
No planejamento estratégico, a dimensão “cliente” costuma aparecer quase sempre com um único foco: a aquisição de novos clientes. O problema é que, sem uma estrutura de gestão por trás, a empresa atrai, mas não consegue encantar nem fidelizar.
Quando a experiência do cliente é tratada apenas como atendimento, os sintomas aparecem em diferentes áreas:
• Campanhas que trazem clientes, mas não geram recompra;
• Equipes sem clareza sobre como atender e vender;
• Liderança que cobra resultado, mas não desenvolve pessoas;
• Reclamações que se repetem porque a causa raiz nunca é tratada;
• Decisões tomadas por percepção, e não por indicadores.
Em outras palavras, CX não é um departamento nem um treinamento pontual. É gestão.
O que é o Octógono CX?
O Octógono CX é uma teoria apresentada pelo Prof. Dr. Fernando Coelho, diretor do Instituto Experiência do Cliente (IEC), no livro Fidelizando o Cliente na Prática (2023). Ele reúne oito direcionadores de gestão que devem estar presentes em todo planejamento estratégico que pretenda colocar o cliente no centro do negócio.
A lógica do octógono é simples: são oito lados que se sustentam entre si. E se um deles é negligenciado, a estrutura inteira perde equilíbrio.
Para facilitar a leitura, podemos juntar os oito direcionadores em quatro blocos:
• Base e liderança: cultura de centralidade do cliente e liderança com foco no cliente;
• Pessoas: práticas e métricas de experiência do colaborador;
• Cliente: design da experiência e jornada do cliente;
• Gestão: métricas e indicadores de CX e governança de CX.
Os 8 direcionadores e suas funções
1. Cultura de centralidade do cliente
Função: criar a base que sustenta todas as demais ações.
Nenhuma estratégia de atração ou fidelização funciona sem uma cultura forte de foco no cliente, e ela precisa vir da liderança. O gestor deve começar pela base e entender como está essa cultura dentro da empresa, como:
• Revisar missão, visão e valores;
• Definir práticas de cliente que todos conheçam e pratiquem;
• Promover o desenvolvimento da liderança em experiência do cliente;
• Criar rituais de cultura do cliente no dia a dia.
2. Liderança com foco no cliente
Função: garantir que quem conduz as equipes saiba desenvolver pessoas e gerir processos de excelência.
Um dos maiores gargalos nas empresas está na liderança. Muitos gestores têm dificuldade de desenvolver pessoas, têm pouca sensibilidade com o cliente e desconhecem elementos básicos da gestão, como:
• Jornada de compra;
• Procedimentos Operacionais Padrão (POPs);
• Scripts de atendimento;
• Processos de pós-venda.
Por isso, o direcionador propõe desenvolver a liderança para conduzir um bom processo de vendas com foco em CX.
3. Práticas de experiência do colaborador
Função: cuidar de quem entrega a experiência ao cliente.
É o cliente interno que entrega experiência ao cliente externo. Por isso, ele precisa ser cuidado e desenvolvido. Entre as práticas essenciais estão:
• Onboarding estruturado;
• Reconhecimento;
• Desenvolvimento de carreira;
• Capacitação permanente.
4. Métricas de experiência do colaborador
Função: medir a satisfação interna para enxergar o que ainda não aparece na operação.
Tão importante quanto planejar e executar é medir. Entre os indicadores que traduzem a satisfação interna, destacam-se:
• Clima organizacional;
• eNPS (Employee Net Promoter Score);
• Turnover.
5. Design de experiência do cliente
Função: entender quem é o cliente.
Aqui o planejamento deve contemplar o conhecimento profundo dos desejos, necessidades e dores do cliente, por meio de metodologias como:
• Voz do cliente (VoC);
• Mapa de persona;
• Pesquisa de mercado;
• Pesquisas de NPS.
6. Jornada do cliente e padronização
Função: transformar o conhecimento sobre o cliente em uma experiência padronizada e consistente.
Depois de entender o que o cliente espera, é hora de desenhar a jornada de compra e de interação com a marca, com apoio de:
• Mapa da jornada do cliente;
• Scripts de atendimento;
• Procedimentos Operacionais Padrão;
• Instruções de trabalho.
É isso que dá padronização e excelência à execução da experiência.
7. Métricas e indicadores de CX
Função: mostrar a saúde do negócio sob a ótica do cliente.
O que não pode ser medido não pode ser gerenciado. Além dos indicadores de experiência, é fundamental acompanhar KPIs de fidelização, como:
• Faturamento associado à taxa de fidelidade;
• Taxa de evasão (churn);
• Taxa de reclamação;
• Customer Effort Score (CES);
• Net Promoter Score (NPS).
Esses indicadores dão clareza sobre o quanto a operação está, de fato, focada no cliente.
8. Governança de CX
Função: garantir que os sete direcionadores anteriores sejam acompanhados pela alta direção.
Sem governança, o plano vira boa intenção. Nas operações em que atua como gestor ou mentor, Fernando Coelho trabalha com comitês mensais de clientes, formados pela alta gestão e pela direção, dedicados a discutir e melhorar todas as variáveis de gestão relacionadas ao cliente.
Um exemplo prático
Imagine uma rede de varejo com NPS em queda e muitas reclamações sobre a abordagem de vendas. À primeira vista, parece um problema de atendimento e a solução óbvia seria treinar a equipe de loja.
Pelo olhar do octógono, porém, a análise é mais profunda:
• Há uma cultura de cliente definida e vivida pela liderança?
• Os gestores sabem conduzir o processo de vendas e acompanhar scripts?
• A equipe é bem integrada, reconhecida e capacitada?
• A jornada está desenhada e padronizada?
• Os indicadores são acompanhados e discutidos pela direção?
Muitas vezes, o problema que aparece no balcão nasceu em outro lado do octógono. Treinar apenas o atendente trata o sintoma, e não a causa.
Ouvir o cliente com método
O octógono depende de dados confiáveis para funcionar. Em seus estudos, Fernando Coelho defende que a escuta do cliente seja estruturada e contínua, com ferramentas como:
• Cliente oculto;
• NPS;
• Social listening, o monitoramento de menções e sentimentos nas redes;
• Acompanhamento de plataformas como Reclame Aqui, Consumidor.gov e Google Meu Negócio.
Mas não basta ouvir: é preciso tratar a causa raiz. Quando a empresa resolve o problema pontual e não corrige o processo, a situação volta a acontecer.
Por isso, o feedback precisa ser organizado e analisado por tipo de cliente (promotores, neutros e detratores), tipologia da reclamação ou elogio, recorrência e área responsável. Além disso, os indicadores de satisfação, como NPS e CSAT, devem ser cruzados com indicadores financeiros, como faturamento, ticket médio, LTV e taxa de evasão. Esse cruzamento mostra que experiência do cliente impacta diretamente o caixa da empresa.
O Cliente Oculto como termômetro do octógono
Uma das formas mais práticas de verificar se a jornada desenhada está sendo executada é o Cliente Oculto. Nesse método, um avaliador anônimo vivencia a experiência de um cliente comum e identifica oportunidades de melhoria na abordagem de vendas, no atendimento, nos processos e nas fricções que fazem a empresa perder vendas e clientes.
O processo do IEC segue cinco etapas:
• Briefing inicial: entendimento do negócio e das necessidades;
• Definição dos critérios de avaliação: escolha das métricas que serão analisadas;
• Execução da visita: o Cliente Oculto vai até o estabelecimento;
• Coleta e análise de dados: informações processadas na plataforma;
• Entrega do relatório: com notas, insights e recomendações práticas.
Com mais de 15 anos de experiência e mais de 3 mil avaliações realizadas em todo o Brasil, a metodologia alimenta diretamente os direcionadores de jornada do cliente, métricas de CX e governança, entregando à direção dados reais para discutir e decidir.
Como começar a aplicar o octógono na sua empresa?
Uma boa forma de iniciar é responder, com honestidade, a oito perguntas, uma para cada lado do octógono:
• Cultura: todos na empresa sabem o que significa colocar o cliente no centro?
• Liderança: meus gestores sabem desenvolver pessoas e conduzir o processo de vendas?
• Experiência do colaborador: minha equipe é cuidada e desenvolvida?
• Métricas do colaborador: eu sei como está o clima, o eNPS e o turnover?
• Design de experiência: eu conheço os desejos e as dores do meu cliente?
• Jornada: a jornada está desenhada e padronizada?
• Indicadores de CX: acompanho NPS, CES, evasão e reclamações?
• Governança: a direção se reúne periodicamente para discutir o cliente?
Os lados em que a resposta for “não” ou “não sei” indicam por onde a empresa deve começar.
Experiência do cliente se constrói de dentro para fora
O Octógono CX mostra que a experiência entregue ao cliente é resultado de uma gestão estruturada, que começa na cultura e na liderança, passa pelas pessoas e pela jornada, e se sustenta em métricas e governança.
Uma boa gestão de experiência do cliente impacta diretamente a aquisição e a fidelização, o que significa mais (ou menos) resultado financeiro. Afinal, a pergunta que fica para o empresário e o gestor é: como está o planejamento da sua operação com o olhar do cliente?
Quer estruturar a experiência do cliente na sua empresa?
O Instituto Experiência do Cliente – IEC pode apoiar sua empresa tanto no desenvolvimento de gestores, com o PDG (Programa de Desenvolvimento para Gestores), voltado a jornada do cliente e dos processos, cultura organizacional e liderança de alta performance, quanto na medição da experiência real com o Cliente Oculto IEC.




Comentários